
Deu ruim para Carla Zambelli. E não foi pouco. Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a deputada federal do PL de São Paulo a dez anos de prisão pelos crimes de invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de dados falsos. A decisão incluiu ainda a perda do mandato parlamentar, um detalhe nada irrelevante para quem costumava bradar por “liberdade” enquanto sufocava o próprio bom senso. Ao lado dela, caiu também o hacker Walter Delgatti Neto, condenado a oito anos e três meses, embora este, convenhamos, soubesse bem melhor o que estava fazendo — só errou no cliente.
Zambelli, por sua vez, protagonizou uma sequência de atos que flertam com a insanidade e se casam com a estupidez. Não há outro diagnóstico senão burrice aguda. Difícil encontrar termo mais adequado para descrever alguém que, como parlamentar federal, resolve se aliar a um hacker conhecido por vazar mensagens da Lava Jato achando que ninguém notaria a fraude no sistema do CNJ. Spoiler: notaram.
Mais grave ainda é a desorientação ideológica que escancara seu isolamento político. Uma deputada que já foi braço-direito de Bolsonaro, hoje não tem sequer o amparo simbólico do seu partido, o PL. Valdemar da Costa Neto — que, apesar de seus próprios problemas com a Justiça, sabe farejar prejuízo — não mexeu uma palha para defender sua pupila. Talvez porque tenha percebido que Carla se tornou um estorvo mais do que um ativo eleitoral. Quando até o bolsonarismo mais radical te deixa falando sozinha, é porque a coisa realmente degringolou.
No fundo, Zambelli é um retrato do bolsonarismo levado às últimas consequências: autoritário, paranoico, e perigosamente incompetente. Mas sua queda não deve ser lida apenas como castigo individual; ela é também um aviso. A política, mesmo na era da desinformação, ainda cobra caro de quem a trata como um jogo de memes e bravatas.
Quanto ao hacker Delgatti, é difícil sentir pena. Um sujeito que já transitou entre vazar mensagens de procuradores, tentar se associar ao bolsonarismo e depois se dizer arrependido, não parece exatamente confiável. Sua pena foi menor, mas sua ingenuidade calculada custou caro — embora não tanto quanto a estupidez genuína de Zambelli.
A verdade é que, no fim, todos caíram. Mas se Delgatti tropeçou numa jogada arriscada, Zambelli se atirou de cabeça em um buraco cavado com as próprias mãos — e ainda achou que seria ovacionada ao sair do outro lado.
Spoiler final: não vai sair tão cedo.
– Yugi Vasconcellos
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