
A surpresa seria se tivesse agido com inteligência. Mas não: Carla Zambelli, fiel escudeira de um bolsonarismo que já ruiu há tempos, decidiu novamente se enredar em seus próprios delírios e, como de costume, tropeçou na própria arrogância. Fugiu. E fugiu mal. Fugiu como quem sabe que deve — e deve?
A Interpol incluiu, nesta quinta-feira (5), o nome da deputada Carla Zambelli (PL-SP) na lista de foragidos internacionais. A inclusão atende a um pedido da Polícia Federal (PF), em cumprimento da determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Sim, Zambelli virou oficialmente uma foragida — agora com alcance global. É o ápice de uma trajetória que mistura oportunismo, desinformação e desprezo pela institucionalidade.
A deputada, que já protagonizou cena de arma em punho em plena rua durante o período eleitoral, agora tenta escapar da responsabilidade como quem foge de um espelho: tem pavor do reflexo da própria conduta. Zambelli é o retrato mais caricato de uma direita brasileira que se diz moralista, mas tropeça nos próprios pecados — e ainda quer posar de vítima.
Fugir, nesse caso, não é apenas uma metáfora política. É literal, físico, vexatório. E burro. A tentativa de escapar das consequências jurídicas — ou midiáticas — só reforça o que já se sabia: Carla Zambelli não é vítima de um sistema opressor. É cúmplice de um projeto de poder que falhou, que fede a autoritarismo — e como diria Hannah Arendt, o mal, muitas vezes, não é monstruoso, apenas medíocre. E, nesse caso, também digitalmente rastreável.
O “não esperava nada de diferente” não é desdém, é constatação. A previsibilidade do erro não torna o erro menor — só torna mais gritante o quanto a política brasileira ainda está refém de figuras que preferem o espetáculo ao debate, a bravata à construção, a fuga à responsabilidade.
Burra? Talvez. Covarde? Certamente. Mas, acima de tudo, fiel ao roteiro que escolheu para si: o de alguém que construiu a própria ruína acreditando estar em guerra santa.
– Yugi Vasconcellos
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