
A recente decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre a importação de aço e alumínio brasileiros não é apenas um movimento econômico. É também um sinal político. Um lembrete de que, no jogo global, cada país defende seus interesses — mesmo quando isso contraria os discursos de livre mercado e cooperação.
Diante disso, cabe ao Brasil não apenas reagir pontualmente, mas refletir sobre qual posição deseja ocupar nesse tabuleiro. Por muito tempo, apostamos na via diplomática, no diálogo constante e na construção de pontes — muitas vezes, mesmo quando essas pontes não nos levavam a lugar algum. Defendemos a abertura comercial, buscamos acordos bilaterais e confiamos que, com boa vontade, haveria espaço para todos. Mas o mundo de hoje, mais fragmentado e protecionista, exige outra maturidade.
A tese da reciprocidade tributária não surge como retaliação ou revanchismo, mas como um princípio de equilíbrio. Se um parceiro comercial impõe barreiras injustificadas, é razoável repensar as contrapartidas oferecidas. Isso não significa fechar-se para o mundo, mas sim adotar uma postura de respeito mútuo e soberania consciente.
Nesse contexto, é inevitável pensar nos BRICS. O bloco — composto por países que, como o Brasil, muitas vezes se veem às margens das grandes decisões mundiais — pode representar mais do que uma aliança simbólica. Ele pode ser a base para novas rotas de cooperação, menos dependentes das grandes potências e mais abertas a uma lógica de desenvolvimento conjunto e respeito à diversidade econômica.
O que está em jogo não é apenas o preço do aço, mas o valor das escolhas que fazemos como nação. Entre aceitar silenciosamente ou repensar com estratégia, há um intervalo decisivo. Um espaço para reflexão madura sobre soberania, justiça comercial e projeção internacional.
A tarifa é alta, mas o custo da passividade pode ser ainda maior. É tempo de pensar menos em agradar e mais em afirmar: com responsabilidade, com equilíbrio — e com coragem.
– Yugi Vasconcellos
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